A relação entre emprego e consumo é mais complexa do que sugere a análise macroeconômica convencional. No Brasil, a heterogeneidade do mercado de trabalho — com elevada participação de trabalhadores informais e autônomos — cria mecanismos de transmissão distintos daqueles observados em economias avançadas.
Nossa análise mostra que, para trabalhadores formais, o aumento do emprego se transmite ao consumo principalmente via expansão do crédito consignado. Para trabalhadores informais, a transmissão é mais direta — via renda disponível — mas também mais volátil.
Essa heterogeneidade tem implicações importantes para a política monetária: o canal de crédito é mais eficaz para conter o consumo dos trabalhadores formais, mas tem efeito limitado sobre o consumo informal, que representa parcela significativa da demanda agregada.